Vacinação contra a Covid-19 em Porto Velho / Roni Carvalho

Os moradores de Porto Velho estão revoltados com alguns profissionais suspeitos de estarem quebrando o cronograma de prioridades do governo de vacinação contra a Covid-19. De acordo com as denúncias, além dos profissionais que fazem parte do calendário, outros das áreas de educação física que trabalham em academias e medicina veterinária que se dedicam ao tratamento das doenças de animais também estão sendo vacinados contra o vírus.

No dia 1º de abril, uma academia voltada para o público feminino da capital publicou nas redes sociais a foto de duas educadoras físicas com o cartão de vacina registrado com a 1ª dose da vacina CoronaVac. No cartão de uma das professoras, a primeira dose do imunizante foi registrada no dia 1º. Já a segunda está agendada para o próximo dia 29.

Diário da Amazônia entrou em contato com a prefeitura de Porto Velho para esclarecer quais os profissionais da área da saúde fazem parte do grupo prioritário para receber a vacina contra o vírus neste momento.

Segundo a Divisão de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Velho, no sistema vacinômetro do SUS da capital foram imunizados 20 profissionais de educação física, que atuam em estabelecimentos de saúde, como por exemplo clínicas de reabilitação que atendem pacientes pós-Covid.

Um informe técnico do Ministério da Saúde revela que profissionais que atuam em academias de ginástica, clubes, salão de beleza, clínicas de estética, óticas, estúdios de tatuagem e estabelecimento de saúde animal, não são contemplados nos grupos prioritários neste momento.

Falta de fiscalização

De acordo com uma educadora física que prefere não se identificar, as vacinas que chegaram vieram para profissionais da saúde que estão atuando em clínicas. Porém com a falta de fiscalização do registro profissional diversas pessoas da área estão conseguindo se vacinar contra a Covid-19.

“Somos da saúde. Porém poucos atuam de fato em clínica, pra não dizer ninguém. Geral está indo e vacinando, junto com vários veterinários. Que também não deveriam vacinar ainda. Lá na hora só falam que são da saúde e pronto. Uns dizem ser cuidadores de idosos. Mas não só pessoas de educação física. Qualquer pessoa chega lá e pode dizer isso. Não estão verificando carteira profissional. Várias pessoas que foram preparadas com documentação nem utilizaram. Desse jeito quem quer vai lá e vacina”, disse a profissional de educação física.

Ela conta que algumas pessoas também estão conseguindo se vacinar com as sobras das vacinas. “Elas vão no último horário e ficam aguardando o encerramento. Mas o problema é que não está claro quem são essas prioridades. Tem muita brecha, sem contar que não tem fiscalização. Até o agendamento não estão cobrando, porque disseram que estava dando mais rolo. Então nem precisa estar com o nome na lista do cadastro, só vai”, contou a educadora.

O procedimento de vacinação para outra profissional de Educação Física conseguir ser imunizada foi simples. “Tivemos acesso ao link de inscrição. No qual não consegui concluir a inscrição, entrei na fila expliquei que não consegui o cadastro mas que era da saúde e prestava consultoria a idosas. Levei a declaração da empresa comprovando minha profissão”, disse.

Comprovação de vínculo com a área da saúde

De acordo com o Ministério da Saúde, os profissionais de Educação Física fazem parte da lista de trabalhadores da saúde e por isso fazem parte de grupos prioritários recomendados para serem vacinados contra a Covid-19. Porém, o documento informa que os trabalhadores de saúde são aqueles que atuam em estabelecimentos de assistência e vigilância à saúde, sejam eles hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios e outros locais.

Outra recomendação é que no momento da vacinação seja solicitado documento que comprove a vinculação ativa do trabalhador com o serviço de saúde ou apresentação de declaração emitida pelo serviço de saúde.

“Minha indignação começou por causa da vacinação de profissionais de educação física que não estão na linha de frente. Não as conheço, acho que o problema não foram essas pessoas tomarem, mas o critério da prefeitura em deixar isso. Estão pegando qualquer pessoa relacionada a saúde e vacinando, não estão analisando a função social dessas pessoas. Esse é o problema”, disse outro morador do município, que prefere não se identificar sobre a falta de fiscalização na distribuição das vacinas.

Plano nacional de imunização

Até o momento, foram vacinados  17.572 profissionais da saúde em Porto Velho com a primeira dose da vacina, e 9.069 com a segunda dose. Segundo o vacinômetro do SUS, 17.589 idosos receberam a primeira dose e 309 idosos a segunda dose na capital.

Segundo o Plano Nacional de Imunização (PNI), os trabalhadores de educação estão na quarta fase do plano. Neste momento, a capital está vacinando grupos da segunda fase do PNI. Ainda não há uma data para que se inicie a vacinação deste grupo, pois depende do Ministério da Saúde e do quantitativo de doses que são distribuídas aos estados e consequentemente aos municípios.

A prefeitura esclareceu que todos os profissionais de saúde estão sendo imunizados. Inclusive os trabalhadores de saúde vinculados a estabelecimentos como clínicas de reabilitação, laboratórios de análises e de imagem, consultórios médicos e setores administrativos.

Além destes profissionais, os agentes funerários foram contemplados com a primeira dose da vacina há cerca de três semanas e já estão prestes a serem imunizados com a segunda dose. Assim como os trabalhadores de saúde, a prefeitura divulgou que os servidores da Defesa Civil também já foram contemplados com a primeira dose e em breve também receberão a segunda.

Denúncias

A equipe do Diário da Amazônia entrou em contato com o Ministério Público para conseguir informações sobre a realização de inquérito civil para apurar as suspeitas de desvios de vacina contra a Covid-19 em Porto Velho, porém, até a publicação desta matéria, não obteve resposta.

As denúncias de suspeitas de desvios de vacina contra a Covid-19 podem ser feitas através do número 0800-647-7071.

Diário da Amazônia